
No meu post anterior eu generalizei a questão para reforçar a ideia. E é óbvio que as generalizações, quaisquer que elas sejam, são perigosas e erradas...nunca há um bom ou mau absoluto... há de certeza deputados exemplares tanto em termos de postura como de trabalho... ...em todas os partidos...
... e também é verdade que radicalizei um bocado o comentário porque, se em qualquer altura uma situação destas é grave (a imagem das chefias e a qualidade do seu trabalho tem como reflexo o trabalho, bom ou mau, das estruturas intermédias e mais baixas... ou seja quando mais competentes, a vários níveis, forem os "chefes", mais motivados para fazerem um bom trabalho se sentem os "subordinados"), num momento em que o país está como está e se retiram priviligégios, se pedem sacrifícios e se tenta aumentar a produtividade, temos os representantes eleitos da nação a deixarem o trabalho por fazer e irem de férias... se isto acontecesse com um trabalhador normal o que é que acontecia? será que bastaria a palavra dele a dizer que tinha estado doente?
Quanto mais alto o cargo mais responsabilidades se tem e menos se pode falhar... pelo menos desta maneira... O que é que aconteceria numa empresa em que num dia de tomadas de decisões importantes vários directores não aparecessem, em véspera de fim de semana prolongado, invocando razões de trabalho?
E até acho que, se iam estar ausentes, e de cada vez que se têm de ausentar por motivos oficiais, os deputados tinham ou deviam ter que avisar e justificar essa ausência... Na função pública, atrasos de 5 minutos obrigam a justificações escritas (isto é absurdo mas é verdade porque eu já assiti) e os Srs. deputados (alguns.... os suficientes para ser muito mau) dão-se ao luxo de faltar a uma votação, que até tinha sido antecipada para antever problemas destes... não pode haver justificações, pelo menos plausíveis... ou se as houver deveriam ser apresentadas publicamente...
As culpas são repartidas pelos deputados faltosos, principalmente aqueles que se estiveram mesmo a marimbar para o trabalho, pela Assembleia que não tem um controle eficaz que permita evitar estas situações, pelos partidos que mostram o que são (organizações onde o carreirismo impera e onde parecem cada vez menos os que estão na política por convicções altruístas e por verdadeiros ideiais políticos) e nós todos e os nossos brandos costumes e memórias muito curtas.
Se lá estivessem os 50% necessários, o que muitas vezes apenas deve acontecer por combinações partidárias que normalmente evitam estes escândalos, ninguém dizia nada... claro... e também acredito que há efectivamente esse espírito de oportunismo na maioria da sociedade, que facilmente imitará este tipo de comportamenteo se isso der jeito e não trouxer grandes problemas... são dois espelhos a olhar um para o outro... o da sociedade que se reflecte nos políticos e o dos políticos que se reflecte na sociedade...
... qual a saída?... faz o que eu digo, não o que eu faço... todos (lá estou eu a generalizar... mas propositadamente porque é esse o reflexo da sociedade portuguesa) temos uma moral verbalmente muito certa, correcta e eficaz... mas que na prática se traduz em imoralidades que têm emperrado o país...
E depois há a questão das acusações mútuas em praça pública... em vez de, TODOS, admitirem o erro o salvaguardarem a imagem de uma instituição em que os eleitores estão representados, ainda por cima vieram acusar-se uns aos outros... tipo meninos queixinhas a fugir das culpas como o diabo foge da cruz (Não fui eu... foi ele que começou... buaáaaaaa)... é sempre esta a estratégia para camuflar o verdadeiro problema e afastar o debate para as habituais tricas verbais...
Há muitos anos que eu olho para a política e tudo à sua volta me entristece... os debates, as acusções... as falcatruas... as mentiras... os enganos... o discurso do falar muito e não dizer nada... as praxes e tradições durante os debates... tudo aquilo me parece uma péssima peça de Teatro com péssimos actores... e normalmente com um péssimo enredo que invarialmente acaba mal... para os espectadores... que somos nóes... e é uma peça de Teatro em cena há anos e anos, com cr´ticas negativas mas que ninguém consegue tirar de cena...
Será uma visão pessimista?... sim é... mas é um pessimismo real...