domingo, abril 30, 2006

Fui ali e gostei muito…

O Mindelo, capital da ilha de S. Vicente é uma cidade muito bonita com uma fantástica baía, belas praias, e traços arquitectónicos coloniais muito bem preservados e harmoniosos… nada a ver com a Cidade da Praia… ou melhor, a Cidade da Praia não tem nada a ver com o resto do país…
















E Santo Antão ali tão perto e sempre presente, engolindo o Sol a cada final de dia, e convidando amantes das montanhas a longos passeios (que podem levar um dia inteiro) por entre vales que, mesmo depois de 6 ou 7 meses sem chuva, se mantêm com grandes pedaços de um verde bem viçoso que é sem dúvida um bom descanso do castanho que nesta altura do ano domina todas as outras ilhas... um verde alimentado pela humidade que esconde as altas montanhas e nuvens brancas que aparecem e desaparecem como fantasmas…
















Ver como se faz o grogue… aguardente de cana esmagada nos trapiches puxados por vacas ou burros… fermentada em fornos alimentados pelos restos das canas… daí se faz também um mel delicioso… e juntando o mel e o grogue, temos o ponche… doce…



































Ver chegar o peixe… ver os mercados… aquela simbiose de cores e cheiros…
















Ouvir as mornas e coladeiras que tão bem ilustram estas paisagens que têm anto de belo como de melancólico… ou então sou eu que absorvo as coisas assim…

A tudo isto voltarei…

sexta-feira, abril 21, 2006

Vou ali e volto já

















Uns diazinhos de folga, aproveitando um fim de semana prolongado.... quarta estarei de volta... vou conhecer mais um pedaço deste país... depois conto... para já só uma amostra vista por olhos que não os meus... e que eu gostava que fossem comigo...( não só os olhos, tá claro)...

inté companheiros...

quinta-feira, abril 20, 2006

Pearl Jam…. Numa festa de anos, andava eu no 10 ou 11º ano (primavera de1992, seria só fazer as contas mas não me apetece) ouvi pela primeira vez o primeiro disco daquela que viria a ser e ainda é hoje a minha banda preferida. Um grande disco chamado “Ten”… um dos melhores primeiros discos que qualquer banda terá lançado… agressivo mas muito melodioso… com boas letras e guitarras cheias de força…

Como já disse aqui gosto muito de música e tenho alargado a minha abrangência melómana com o passar dos anos… acho que a todos acontece isso porque o nosso espírito vai amadurecendo e fica preparado para saber ouvir algumas coisas que, não sendo tão imediatas, necessitam de um período mais longo de degustação sonora… Aliás, na minha opinião, a musica que não tem prazo de validade é aquela que ao princípio nos causa alguma estranheza … é a velha história do “primeiro estranha-se e depois entranha-se”… é esse tipo de música que perdura sem cansar…

E todos os discos dos Pearl Jam têm essa qualidade… lembro-me que quando comprei o 3 disco deles (Vitalogy), a primeira audição foi de algum susto tal era a descarga eléctrica das primeira músicas… mas o susto passou a admiração… que se mantém... muito bom… Há musicas deles que eu não gosto… mas são todos bons discos com grandes canções… têm sempre algo de novo, mostrando uma evolução natural de alguém que quer e sabe evoluir mantendo um estilo próprio…

Não me vou alongar mais sobre eles… deixo-vos lá cima um link se os quiserem conhecer melhor… mas a música deve falar por si…

Vão lançar no fim do mês um disco novo … já o ouvi… mantém a agressividade… mas sempre com grandes melodias e grandes, grandes canções… é muito bom… sugiro que o ouçam… e que se não gostarem logo… não desistam… a boa música, normalmente, é assim…

segunda-feira, abril 17, 2006

No meu post anterior eu generalizei a questão para reforçar a ideia. E é óbvio que as generalizações, quaisquer que elas sejam, são perigosas e erradas...nunca há um bom ou mau absoluto... há de certeza deputados exemplares tanto em termos de postura como de trabalho... ...em todas os partidos...

... e também é verdade que radicalizei um bocado o comentário porque, se em qualquer altura uma situação destas é grave (a imagem das chefias e a qualidade do seu trabalho tem como reflexo o trabalho, bom ou mau, das estruturas intermédias e mais baixas... ou seja quando mais competentes, a vários níveis, forem os "chefes", mais motivados para fazerem um bom trabalho se sentem os "subordinados"), num momento em que o país está como está e se retiram priviligégios, se pedem sacrifícios e se tenta aumentar a produtividade, temos os representantes eleitos da nação a deixarem o trabalho por fazer e irem de férias... se isto acontecesse com um trabalhador normal o que é que acontecia? será que bastaria a palavra dele a dizer que tinha estado doente?

Quanto mais alto o cargo mais responsabilidades se tem e menos se pode falhar... pelo menos desta maneira... O que é que aconteceria numa empresa em que num dia de tomadas de decisões importantes vários directores não aparecessem, em véspera de fim de semana prolongado, invocando razões de trabalho?

E até acho que, se iam estar ausentes, e de cada vez que se têm de ausentar por motivos oficiais, os deputados tinham ou deviam ter que avisar e justificar essa ausência... Na função pública, atrasos de 5 minutos obrigam a justificações escritas (isto é absurdo mas é verdade porque eu já assiti) e os Srs. deputados (alguns.... os suficientes para ser muito mau) dão-se ao luxo de faltar a uma votação, que até tinha sido antecipada para antever problemas destes... não pode haver justificações, pelo menos plausíveis... ou se as houver deveriam ser apresentadas publicamente...

As culpas são repartidas pelos deputados faltosos, principalmente aqueles que se estiveram mesmo a marimbar para o trabalho, pela Assembleia que não tem um controle eficaz que permita evitar estas situações, pelos partidos que mostram o que são (organizações onde o carreirismo impera e onde parecem cada vez menos os que estão na política por convicções altruístas e por verdadeiros ideiais políticos) e nós todos e os nossos brandos costumes e memórias muito curtas.

Se lá estivessem os 50% necessários, o que muitas vezes apenas deve acontecer por combinações partidárias que normalmente evitam estes escândalos, ninguém dizia nada... claro... e também acredito que há efectivamente esse espírito de oportunismo na maioria da sociedade, que facilmente imitará este tipo de comportamenteo se isso der jeito e não trouxer grandes problemas... são dois espelhos a olhar um para o outro... o da sociedade que se reflecte nos políticos e o dos políticos que se reflecte na sociedade...

... qual a saída?... faz o que eu digo, não o que eu faço... todos (lá estou eu a generalizar... mas propositadamente porque é esse o reflexo da sociedade portuguesa) temos uma moral verbalmente muito certa, correcta e eficaz... mas que na prática se traduz em imoralidades que têm emperrado o país...

E depois há a questão das acusações mútuas em praça pública... em vez de, TODOS, admitirem o erro o salvaguardarem a imagem de uma instituição em que os eleitores estão representados, ainda por cima vieram acusar-se uns aos outros... tipo meninos queixinhas a fugir das culpas como o diabo foge da cruz (Não fui eu... foi ele que começou... buaáaaaaa)... é sempre esta a estratégia para camuflar o verdadeiro problema e afastar o debate para as habituais tricas verbais...

Há muitos anos que eu olho para a política e tudo à sua volta me entristece... os debates, as acusções... as falcatruas... as mentiras... os enganos... o discurso do falar muito e não dizer nada... as praxes e tradições durante os debates... tudo aquilo me parece uma péssima peça de Teatro com péssimos actores... e normalmente com um péssimo enredo que invarialmente acaba mal... para os espectadores... que somos nóes... e é uma peça de Teatro em cena há anos e anos, com cr´ticas negativas mas que ninguém consegue tirar de cena...

Será uma visão pessimista?... sim é... mas é um pessimismo real...

sábado, abril 15, 2006

Ora os srs. deputados da nação (deviam era ser todos deportados da nação... mas também quem é que os aceitava?!!!) deram mais um belo exemplo de profissionalismo e integridade, esperando claro que, como exemplos que devem ser para a restante maralha operária, muitos sigam o seu exemplo e passem a picar o ponto de manhã, ir passar o dia à praia e depois voltar lá pelas seis horas e voltar a picar o ponto… pode ser que ninguém dê por isso e agora que o Sol já vai começando a convidar para umas saidinhas com a amiga areia e uma aguita salgada, sabe sempre bem ter umas folgazitas camufladas…

230 deputados - 120 faltosos = 110 presentes… mas por acaso, em época santa, uma profusão de milagres fez com que 196 assinaturas constassem da folha de presenças…. Temos excelentes falsificadores naquela bela Assembleia… ou então alguns fizeram por ali uma breve paragem a caminho do aeroporto… uns rabiscos e ala para umas para uns diazitos de descanso que as férias parlamentares são curtas e ainda estão muito longe… E então as votações agendadas para hoje ? Isso agora não interessa nada… são só umas leizitas sem importância e um voto de protesto que para a semana ainda vai a tempo…

É certo que as votações só ia ser feitas depois das 19h, mas que raio, é o dever deles... e mesmo que alguns até tenham estado por lá umas horas, outros deputados, daqueles bem conhecidos que todas as semanas aparecem na TV e passam o tempo a apregoar a moralidade que um político deve ter, só lá estiveram uns minutitos (segundo testemunhas oculares), o suficiente para marcarem oficialmente a sua presença... depois... tchauzinho....

Do PS faltaram 49 dos 121… mas 114 assinaram a folha de presença!!!!!

Do PSD de 75, dois terços, ou seja 50, faltaram às votações…

Para os faltosos dos partidos mais pequenos, desde recém papás a congressos partidários no estrangeiro, várias são as justificações, sempre com o dedo apontado aos dois maiores partidos…

Já esses apontam o dedo um ao outro… que o partido da maioria é que tem de assegurar o quórum…. que o partido em que 2/3 dos deputados faltam tem mais é que estar caladinho…

Mas que MERDA de gente… que palhaços… e o pior é que o regimento da Assembleia diz que para justificação de faltas inferiores a uma semana "a palavra do deputado faz fé, não carecendo por isso de comprovativos adicionais”… acho que sim.... os gajos até são pessoas de palavra… cumprem tudo o que prometem… provavelmente alguns até foram em viagens de trabalho pagas até ao Brasil… ou a Cabo Verde… se vir por aqui algum vou-me ofecerer como guia turístico… levo-o ao vulcão do fogo… acho que ainda sou capaz de encontrar por lá uma craterazita activa mesmo a convidar a um mergulho…

quarta-feira, abril 12, 2006


Sobre a ideia com que muitos turistas «de pacote» ficam de Cabo Verde... já ouvi muitas vezes dizer que não gostaram... vamos lá ver:

Quem quer conhecer Cabo Verde não deve, de maneira nenhuma ficar-se pela ilha do Sal… os preços baixos dos pacotes turísticos para aquela ilha fazem com que nela sejam «despejados» centenas de turistas, principalmente portugueses, em hotéis em tudo iguais aos, por exemplo, do Algarve… e depois esses turistas nem sequer chegam a explorar a ilha como deve ser… ficam-se pelas praias que, sendo muito boas, são iguais a tantas outras…

E passear por Santa Maria, vila onde ficam a maioria desses hotéis, não é muito agradável porque há um constante (e por vezes agressivo) assédio de comerciantes a querer vender artesanato do norte de África, míudos de rua à procura de uma moeda ou de algo, ilicitamente, mais atractivo… por isso os turistas muitas vezes acabam por nem sair do perímetro dos hotéis que ficammesmo junto às praias… e por isso os restaurantes e lojas da vila pouco beneficiam dos magotes de gente que passam pelo Sal…

Resultado disto? Muitos vão para casa a dizer mal de Cabo Verde… que não tem nada de especial… e isso não é verdade…

Mesmo visitanto apenas a ilha do Sal que não é, na minha opinião, uma das ilhas mais bonitas, há algumas coisas interessantes para ver… mas que não se vêem ficando no hotel…

Conhecer Cabo Verde, um país com dez ilhas, todas diferentes, implica gastar bastante dinheiro… as viagens internas custam muito dinheiro (entre 100 e 200 euros por pessoa, por voos que duram entre 10 e 45 minutos)… mas quem quiser sentir verdadeiramente o país tem que ir pelo menos a três ou quatro ilhas …

...por exemplo:

O Fogo, com a sua paisagem vulcânica… provar o vinho e o queijo, ver as encostas onde se cruza o verde das plantações de café com o negro dos veios de lava…

Boa Vista ou Maio e a calma das suas praias onde a solidão é a maior vantagem… pequenas povoações cheias de côr e gente simpática… provar os sabores do mar e da terra…

S.Vicente e S. Antão… as duas são ligadas diariamente por barco numa viagem agradável de uma hora… S. Vicente tem uma animação cultural fantástica, uma alegria contagiante que passa pela música, pintura e artesanato, sempre com os tons fortes de uma África muito perto da Europa…S. Antão tem paisagens de montanha magníficas… muitos passeios para se fazer… muito ar puro para ser respirado…

As escolhas e as combinações podem ser outras, consoante o tipo de férias que se gostar mais…
É verdade que fazer este périplo não estará ao alcance da maioria das bolsas (da minha também não estaria se eu não estivesse aqui a viver há um ano e pudesse ir dividindo as visitas ao longo do tempo) mas era bom pelo menos que quem apenas fica a conhecer parte de um décimo deste país não se vá embora a dizer que Cabo Verde é feio…não é... porque o Sal é apenas uma das divisões de uma casa muito bonita…

sexta-feira, abril 07, 2006


Para quem quer rir e rir em português (sim porque eu tenho cá para comigo que se estivermos a ver, por exemplo, um espectáculo dos Monty Pythons ao vivo… o que por acaso agora já não possível… mas também para esta argumentação isso não interessa nada… o que interessa é que estivéssemos a ver os fabulosos Monty Pythons, não íamos rir em português… porque eles não iam perceber… Bom… era só uma tentativa de humor absurdo… não resultou…)…….. para quem quiser rir (em qualquer língua, pronto) experimente o podcast do Nuno Markl, “Há vida em Markl”, devidamente complementado com a visita ao respectivo site.

Momentos fantásticos de humor, simples e naturais, como todo o humor devia ser…


E este post é inspirado por uma das pessoas com o mais fantástico e natural sentido de humor que conheço… que gosta de beber yogurtes de meio litro e, mais fantástico que isso, que agora é visitante deste Blog…

conheço-o desde pequeno [ele sempre o conheci grande e espadaúdo (nunca soube bem o que é que esta palavra quer dizer mas acho que fica bem aqui)] e que sempre me fez rir… uma amizade indirecta que se tornou rapidamente directa, apesar de cruzarmos poucas vezes os olhos…

Uma vez fui a casa dele com o meu irmão (seu companheiro de escola de fantásticas aventuras radiofónicas: ainda me lembro da concentração da voz do meu irmão a iniciar o mítico “PONTO de PARTIDA”… belos tempos de puto imberbe a tentar integrar-me nas aventuras dos grandes… aprendi muito… e fui muito melga)… e quando entrámos estava ele sentado no sofá a ver na televisão um programa que dava na altura onde eram apresentadas as novidades em jogos de computador… e ele estava com o comando da televisão na mão a fingir que carregava furiosamente numa série de botões porque havia uma fantástica inovação televisiva que permitia a quem estava em casa jogar ao jogo que estavam a apresentar… e eu, puto de 7 ou 8 anos… fascinado pelo mundo dos grandes (11 anos faz diferença)… acreditava em tudo… e depois quando descobria a verdade não ficava nada chateado por andarem a gozar comigo… ria com vontade e ficava muito contente por muitas vezes me sentir parte daquele fantástico grupo de amigos…

Jogámos à bola, fomos à praia… ouvi deliciado as fantásticas experiências musicais dos Psykadelic Six (não sei se é assim que se escreve, mas desconfio que nem os membros desde fantástico e, com muita pena minha, efémero, grupo o saberão)…

Muitas recordações de infância e início de adolescência… das melhores que tenho…

… vou poder continuar a rir com vontade…

quinta-feira, abril 06, 2006

E no fim, acabei por ficar muito desiludido…

No início da eliminatória pensei que o Benfica teria poucas hipóteses de passar… O Liverpool não é o Barcelona, nem em termos de jogadores, nem em termos de estilo de jogo… E na verdade, e apesar de ter jogado bastante bem no Estádio da Luz, o Benfica podia ter perdido por três ou quatro (também podia ter marcado um ou dois)… Houve sorte, mas também houve a garra que muitas vezes chama essa sorte… e, para mim, foi essa garra que ontem faltou… nem o penálti defendido serviu par mudar a atitude com que entraram no jogo… Era o Barcelona que tinha de atacar? Certo… mas também tinha de ser obrigado a defender e o Benfica, principalmente na primeira parte, não passou do meio campo…

E no fundo… o Barcelona apenas jogou o suficiente para passar… e não era preciso muito para as coisas terem sido diferentes… gritei golo naquele falhanço do Simão… gritei golo talvez como nunca tenha gritado (até perceber que tinha falhado ainda levei uns bons segundos) … porque apesar de pensar desde o início que as hipóteses eram poucas (serei um pessimista por natureza), acho que o meu pessimismo esconde sempre muita esperança…

Talvez seja muito fácil para todos nós, que vemos as coisas de fora, avaliar negativamente a atitude dos jogadores… Porque é que, exactamente no jogo mais importante das carreiras de 90% dos jogadores que ali estavam (muitos deles se calhar não deverão ter outra oportunidade como esta), eles pareceram amorfos, com as pernas pesadas …

Não gosto de vitórias morais… vivemos delas há muitos anos (tirando os Portistas)… gostava de não ter ficado desiludido… e isso até podia ter acontecido memso com uma derrota…

E acho muito irónico, e hipócrita, vir-se dizer que as arbitragens protegeram os mais fortes… (Custa estar do outro lado, não é?)

Não se apaga o que bom se fez para trás com o que aconteceu ontem… no futuro a maioria apenas se lembrará de que o Benfica conseguiu chegar aos 4os de final da Liga dos Campeões, eliminando o Manchester United e o Liverpool… e que foi eliminado pelo Barcelona, a melhor equipa na Europa nesta altura…

Foi bom… mas podia ter sido ainda melhor… venha o Mundial…