segunda-feira, março 27, 2006

Tomada de posse do Presidente de Cabo Verde... com estrondo





A cerimónia de tomada de posse do Cavaco Silva foi relativamente calma... a notícia maior foi a retirada rápida e estratégica do Dr. Mário Soares, sem cumprimentar o novo Presidente (com todo o respeito que tenho pelo Dr. Mário Soraes e ironizando a coisa, para mim foi uma questão de higiene... de certeza que a maioria dos convidados que apertaram a mão do Cavaco não se lembraram de antes lavar as suas própria mãos... e alguns deles deviam-nas ter bem sujinhas... só o Bush Pai... é que o sangue custa a sair...)

Aqui, a (re)tomada de posse do Presidente de Cabo Verde, Pedro Pires, foi na quarta-feira, dia 22 de Março…… trabalho mesmo ao lado do Palácio da Assembleia Nacional onde as cerimónias oficiais tiveram lugar… muitos carros de vidros escuros, muitos militares muitos VIP… o nosso Presidente também por cá esteve numa "falconiana" (de avião tá visto) visita relâmpago…

Pelas 11 da manhã, teclava eu laboriosamente no fiel computador que desde há um ano me auxilia nas minhas funções, quando de repente……. BUMMMMMMMM!!!!!!!!!!! Um estrondo magnífico… um som aterrorizador vindo das profundezas de uma qualquer guerra… um som que até aí só estava presente na minha imaginação porque, felizmente nunca estive em nenhum cenário de guerra real… e no entanto naquele momento senti que era aquele o som real de um canhão a disparar furiosamente contra um qualquer inimigo incógnito….. BUMMMMM!!!!!!..... BUMMMMM!!!!!..... foram 7 ou oito assustadores disparos, cada qual com uma vibrante onda de choque que fez estremecer paredes, vidros… e almas desprevenidas….

Cabo Verde é um país estável politicamente…. Não há riscos de guerra civil e as forças militares são muito discretas (e mal equipadas, como tive oportunidade de constatar, mas já lá vamos) … e como os militares por aqui não têm grandes oportunidades de exercitarem os seu conhecimentos de combate (apesar de tudo vão participar nos grandes exercícios da NATO que se realizam por aqui em Julho), alguém deve ter decidido… “é pá, esta é uma boa oportunidade para desenferrujarmos os canhões… usamos munições com pólvora seca e assim a única coisa que corremos o risco de rebentar são uns quantos tímpanos”… pois!!!…

A zona da Assembleia Nacional é uma zona residencial, com muitos prédios e também várias embaixadas (China, Áustria, Portugal, Rússia e a Residência Oficial do Embaixador dos Estados Unidos)… agora imaginem o que é estar tudo a trabalhar muito descansado e de repente BUMMMMM!!!! No sítio onde trabalho o tecto é feito de umas placas de plástico que encaixam uma nas outras… algumas saíram do sítio e por entre as frestas, com o impacto dos disparos, começou a cair pó e bocadinhos de cimento… os alarmes dos carros a tocar…

Depois de terminadas as épicas salvas de canhão, tive a oportunidade de visualizar as modernas máquinas de guerra, origem de tão vigorosos disparos… meus amigos viajantes da blogosfera… aquilo fez-me lembrar duas coisas… fotografias a preto e branco (amareladas pelo tempo) da primeira guerra mundial e os soldadinhos de plástico com que brinquei em criança, acompanhados dos respectivos jipes que tinham um gancho de reboque onde se encaixavam uns canhões portáteis… pois estes canhões reais eram iguaizinhos… relíquias…

Isto podia ter provocado um sério incidente internacional… se a coisa tivesse corrido pior podiam ter rebentado com uma das embaixadas… uma autêntica declaração de guerra…O que vale é os americanos estão demasiado ocupados com a guerra do Iraque, com o Afeganistão e o Irão…por isso Cabo Verde pode esperar… os chineses têm por cá tanta gente (as lojas chinesas multiplicam-se diariamente por todos os cantos de todas as ilhas), que atacar estas terras seriam quase o mesmo que atacarem um província sua… os Russos são capazes até de ter redireccionado alguns dos mísseis nucleares para aqui (um por cada ilha) mas ainda por lá está demasiado frio para estarem a gastar energia com disparos que, no fundo, seriam inúteis… e Portugal… bom digamos que as nossas finanças não estão para guerras reais… ficamos pelas, já tradicionais, guerras verborreicas internas… e talvez o nosso ministro dos negócios estrangeiros, Freitas do Amaral, se lembrasse de propor um jogo de futebol entre as duas selecções nacionais como forma de reconciliação… agora que me lembro… vai mesmo haver esse jogo… tenho de ir ver se a embaixada de Portugal ainda está inteira….