Conhecer Cabo Verde... ilha do Fogo

Um deserto negro…. um vulcão, adormecido por agora, mas activo… a última erupção foi em 1995… passar por entre os veios de lava… a terra aí é mais fértil… por isso é exactamente aí, no sítio onde os rios de lava desceram do cimo da montanha até ao mar, que a maioria da população construiu as suas casas… é no meio desses veios negros que fazem a sua vida…
A ilha do Fogo é impressionante… é especial… tem uma mística muito própria…
A capital, São Filipe, é sem dúvida a cidade mais limpa de todas as que visitei em Cabo Verde… e isso aqui (hei-de falar dos problemas ambientais que por aqui existem) é sem dúvida uma grande virtude… E além de ser a cidade mais limpa é a que mantém os mais fortes traços coloniais… os seus fantásticos sobrados, a maioria dele muito bem conservados e recuperados, convidam a longos passeios pelas ruas do centro histórico…
...e o calor que se faz sentir na maior parte dos dias (é a cidade mais quente do país) convida a que se vá descendo até à fantástica praia de areia negra… 7 quilómetros de areia mesmo preta (é fantástico senti-la nos dedos)… a água é quente mas o mar é perigoso….
Ir subindo pela estrada… olhando o mar e a ilha Brava, escondida pelo nevoeiro (a ela voltarei qualquer dia)...
…. e chegar ao deserto negro…

lava com várias idades, vários tons de negro, vários tipos de rocha vulcânica (duas rochas do mesmo tamanho podem ter pesos muito diferentes) … andar três ou quatro quilómetros com as duas chaminés do vulcão ali ao lado, aquele cone perfeito, tão belo quanto infernal….
Chã da caldeiras… aldeia que fica dentro de uma das crateras antigas do vulcão… daí se parte para as subidas ao seu topo… uma pousada onde não há electricidade… só posso imaginar o que será passar aqui uma noite… o céu, as estrelas, o silêncio (espero em breve poder tirar a limpo o que a minha imaginação construiu) …
…uma série de míudos aproxima-se… míudos louros…. louríssimos... de olhos azuis… e Cabo-verdianos…. reza a história (lenda) que um conde Francês, Montrond de seu nome, (e suponho que louro e de olhos azuis) aqui se refugiou e deixou uma extensa prole espalhada pela ilha… os seus descendentes são muitos e mantêm os seus traços europeus…Trazem nas mãos casas de vários tamanhos, barcos e o outros objectos talhados a partir de rochas vulcânica… com telhados de palha… fabrico o mais artesanal possível… claro que os bolsos ficaram mais vazios…
Mais à frente chega-se à cooperativa responsável pela produção do fantástico vinho dos Fogo… sim, aqui no meio destas planícies e montanhas negras crescem uvas deliciosas, brancas e pretas, de onde sai um fantástico vinho, bastante forte… mas muito suave de sabor…
Depois voltar à estrada principal, que dá a volta à ilha e percorrer vários quilómetros onde se alternam e contrastam os longos veios negros de lava, de várias erupções, e as encostas verdes… mas sobre isso falarei com mais tempo… o Fogo merece...

Os olhos absorvem o negro da paisagem. Senti-me hipnotizado… é daqueles momentos na vida…


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