quarta-feira, março 01, 2006

pão, essa iguaria cheia de surpresas


Numa das primeiras vezes que fui a um restaurante aqui na Praia, como bom português que julgo ser, pelo menos gastronomicamente falando, vendo que não havia pão na mesa (que pecado) pedi para me trazerem uns pãezitos…

Pão? – pergunta a simpática rapariga encarregada de satisfazer todos os pedidos gastronómicos (seguindo a ementa tá visto) de quem procura calar a fome - É português não é?...

Pois… havendo dúvidas na minha nacionalidade, não desfeitas por estar a falar o que, julgo ser, bom português (falar português por aqui não é sinónimo de se ser da respectiva nacionalidade porque muito bom estrangeiro, que não lusitano, fala ou pelo menos balbucia alguns vocábulos nessa bela e rica língua), o facto de ter pedido pão para uma refeição que não o pequeno-almoço ou lanche (talvez para uma ceia mais tardia também seja normal) denunciou logo, sem qualquer sombra de dúvida, a minha proveniência…

Realmente, pelo menos aqui na capital, é difícil encontrar pão igual ao que se faz em Portugal… Normalmente o pão que se encontra é sempre muito “plástico” e não tem aquela consistência e sabor que o torna, em Portugal, presença obrigatória em qualquer mesa (se bem que já ouvi alguns portugas dizer que comer pão à refeição é hábito de pobre… )

Até que ouvi falar de uma padaria, que por sorte fica bem perto do sítio para onde vim morar, que fazia pão muito parecido com o que se faz em Portugal… e lá fui em busca dessa iguaria… e realmente o pão é bom. Chamam-lhe aqui pão rústico e desde que o descobri tem-me acompanhado em todas as refeições. O problema é que é feito com uma farinha especial que já por várias vezes faltou e nessas alturas não o vendem durante alguns dias… mas resolvi esse problema comprando 8 ou 9 pães de cada vez e congelando-o… não se nota a diferença…

Entre os últimos pães que comprei vinha um demasiado cozido para meu gosto e decidi que era logo o primeiro a marchar… comi metade a acompanhar o jantar e já no fim da refeição, enquanto via televisão, começo a tirar bocadinhos de miolo (uma mania que tenho) e os meus dedos tocam em qualquer coisa que não tinha a consistência normal do miolo de pão. Olho e vejo uma linha mais branca que percorria toda a largura do pão… abro o pão e… afinal não era um pão mais mal cozido que o costume… afinal era uma espécie de bolo rei, sem frutas cristalizadas nem passas, mas com um grande brinde… de plástico, fininho e com aspecto de ter pertencido provavelmente a uma espécie de espátula que o padeiro deve usar para fazer o pão… ainda deve estar a perguntar quem é que partiu o seu fiel e indispensável instrumento de trabalho e onde é que está o bocado que falta… por sorte não lhe dei uma trinca… meus ricos dentes… vou guardá-lo com todo o cuidado…

…e como deixar de comprar este tipo de pão está fora de questão vou ver se arranjo uma daquelas máquinas de raio-x dos aeroportos, para inspeccionar cada pão antes de o comer…