segunda-feira, maio 29, 2006


Jogaram bem durante 10 minutos… perderam dois jogos… ganharam um… marcaram um golo…Se tivéssemos perdido só por 1-0 com a Sérvia, tínhamos passado…

Jogámos mal… muito mal… com um estilo de jogo absolutamente desadequado aos adversários… pontapé para a frente e mais nada… ou então sempre a jogar para o Quaresma que praticamente não fez nada de jeito…

Sentei-me para ver o jogo com a França já tinham passado 15 minutos da 1ª parte… comecei a ver os jogadores que estavam a jogar… Moutinho, Quaresma, Hugo Almeida, Raul Meireles (o melhor (único ao seu nível!!!) em todos os Jogos)… Nani… Zé Castro… Manuel Fernandes… jogadores que têm já muita experiência e que são, sem dúvida, muito bons jogadores… fiquei contente… pensei que tínhamos realmente uma boa equipa… e durante 5 minutos mantive essa opinião… só que depois a França começou a jogar… a correr mais… a fazer uma pressão muito alta… e Portugal era pontapé para frente e mais nada… O golo francês foi muito esquisito e foi mais sorte que outra coisa… mas Portugal não fez nada para que o resultado fosse diferente…

Depois a Sérvia… novamente pontapé para a frente com as torres balcânicas a não terem problemas em controlar esse tipo de jogo… e sempre imenso espaço entre os avançados portugueses e os jogadores do meio campo… futebol sem ligação… mesmo assim podíamos e devíamos ter marcado em duas ou três ocasiões… sofremos dois golos… o 2º foi inadmissível porque só demonstra a diferença de atitudes e de nível de concentração entre as duas equipas… enquanto uma celebrava a excelente defesa do Bruno Vale no Penálti, a outra corrigia o falhanço e marcava, facilmente, o 2º golo… que acabou por ser o golo que eliminou Portugal…

Depois lá estávamos todos de máquina de calcular, à espera de ajudas externas (que aconteceram) mas incapazes de cumprir a parte que nos cabia… que obviamente, perante as prestações anteriores era praticamente impossível… ou talvez não… bastava a atitude dos últimos 10 minutos…

Razões? Sempre as mesmas… muito valor individual não faz uma boa equipa… falta de maturidade evidente… falta de garra… os outros parece que têm sempre mais vontade de ganhar que nós… parece que estamos sempre à espera que as vitórias venham ter connosco… quando acordamos (se acordamos) já é muito tarde…

Há ali muito bons jogadores… pode haver um bom futuro… é preciso treinar intensamente a mentalidade… a psicologia… materializar a vontade de ganhar (que obviamente eles têm) de uma forma aguerrida e prática… jogar para a equipa e não cada um para si… tive pena… mais uma vez… mas, mais uma vez, tivemos o que merecemos...

quinta-feira, maio 25, 2006


Tenho dificuldade em acreditar em muitas das notícias que os jornais hoje em dia trazem. E não estou a falar dos «pasquins» sensacionalistas que vivem de escândalos e exploração de futilidades… Também os leio porque, admito, sou um, tímido, voyeurista da decadência social do jet7 (bom nome para uma boys band… ou bois band) … mas por estas notícias não me dou sequer ao trabalho de pensar se são verdade ou não…

Estou a falar em notícias de jornais como o Público e Diário de Notícias, jornais de referência informativa, que todos os dias leio na Internet… E estou a falar de notícias realmente importantes, que me deixam muitas vezes a questionar a sanidade do mundo… ou seja, tenho dificuldade em acreditar em certas notícias porque não quero acreditar nelas…

Fiquei contente por saber que se aprovou em Portugal legislação que proíbe fumar em espaços fechados… principalmente em cafés e restaurantes é muito desagradável para quem não fuma (como eu) estar a comer e a beber fumos em 2ª mão a acompanhar as refeições… em geral, é desagradável para não fumadores, em qualquer situação, estar a apanhar com os resíduos do tabaco… mas temos que ter alguma compreensão e tolerância… e principalmente, as leis, têm demonstrar algum grau de compreensão e têm, sobretudo, de ser justas… não deve haver radicalismos… e parece-me que as legislações recentemente aprovadas para refular estas matérias (na Irlanda, Espanha e em Portugal), acabam por ostracizar completamente os fumadores, criando-lhes graves problemas.. como este (a acreditar completamente na notícia, claro)

Tem efectivamente de haver separações entre áreas de fumadores e não fumadores… nos restaurantes, cafés e locais de trabalho… quanto mais não seja por questões de saúde. Há muita gente com problemas respiratórios que não pode estar num ambiente com fumo…. Mas todos sabemos que concretizar esta divisão é, na grande maioria dos casos, fisicamente impossível… e se por exemplo, durante uma refeição, acho que é perfeitamente aceitável que se peça (ou exija) um sacrifício (que o é, temos de o compreender) aos fumadores e «obrigá-los» a não fumar durante 2 horinhas (só lhes faz bem), acho muito mais problemático e injusto obrigar os fumadores a não fumar no local de trabalho… aí tem que haver colaboração das empresas e a tolerância de colegas e chefias (salvaguardando, claro, as questões de saúde de algumas pessoas) … porque se não os fumadores começam a ter que decidir entre deixar de fumar ou deixar de trabalhar… organizacionalmente e na maioria dos locais de trabalho será muito difícil (impossível ?) separar trabalhadores que fumam e que não fumam… mas também é impossível pedir a um fumador que não fume durante horas a fio, em situações de stress em que o cigarro é uma arma de produtividade e concentração… ou então tolera-se que esses nicotinodependentes possam fazer algumas, curtas, pausas que terão muito provavelmente menos impacto ao nível da produtividade do que uma proibição radical de fumar…

Fumar não é uma deficiência (pelo menos física)… é uma escolha (muitas vezes por razões sociais) que se torna um vício … e que, como todos os vícios maus (também há bons) pode e deve ser combatido e ultrapassado… mas como todos os vícios (maus e bons) é muito difícil de derrotar

Por isso as legislações têm que proteger os não fumadores, mas também ajudar os fumadores… têm de ser justas e equitativas… não podem ajudar a ostracizar pessoas…

Eu não fumo e incomoda-me o fumo do tabaco principalmente quando estou a comer… mas tenho muitos amigos que fumam e, das duas uma, ou faço depender a continuação dessa amizade do abandono do cigarrito, ou peço para que ele não fume em certas situações, ou fume menos… a solução é, como na maior parte das coisas na vida, a existência de um equilíbrio entre as duas partes….

… não quero acreditar que 5 pessoas tenham sido despedidas de uma empresa porque fumam e porque, para cumprir a nova legislação que proíbe fumar no local de trabalho, fazem duas pausas diárias para o necessário cigarrito (porque a maioria dos fumadores, tristemente, tem mesmo de alimentar o vício para «funcionar» como deve ser) … se for essa a razão é muito mau… se se utilizar esse pretexto para invocar outro motivo disciplinar qualquer e despedir pessoas com (hipotética) justa causa (sem direito a indemnização) então é ainda pior… vale mesmo tudo neste mundo: há necessidade de cortar nos custos… tem que se despedir pessoas…isso implica indemnizações… ou então (brilhante ideia de gestão de recursos humanos) arranjar um pretexto qualquer para dar um chuto no cu às pessoas sem ter que lhes pagar um chavo… seja qual for o tipo de crueldade e maquievilidade que existe neste (e noutros) casos … não quero acreditar… quero continuar a ser ingénuo

(ou faltam ou existem em demasia)

domingo, maio 21, 2006

O verão bate à porta… timidamente porque a Primavera ainda por cá quer ficar mais umas semanitas…

... mas o calor que vai chegando (por aqui nunca desaparece completamente, mas por enquanto é ainda suave) faz-me lembrar sonhos... passados... mas recentes... sonhos reais...



O verão passado... 4 dias na ilha da Boavista…4 dias dos melhores de uma vida de 28 anos…

…praias de areia fina... quase branca…



… um mar para além de qualquer sonho…


Sal Rei... capital da ilha...


terra de pescadores...


… um jogo tradicional de África... chama-se Uril.... ainda não percebi bem a sua «ciência»... novos e velhos jogam com gosto...

É a ilha mais perto da África Conteinental (500km)… das mais planas e desérticas… muita pedra… maus caminhos… mas tudo fazendo parte de uma beleza fantástica, feita de coisas simples e naturais…






Um velho (enorme) cargueiro espanhol, naufragado junto a uma praia…



Um deserto... mesmo no meio da ilha... deserto de Viana… fantástico…

E esta... por muitas razões... é, para mim... a praia mais bonita do mundo... pequena... calma... perfeita...

...uma felicidade partilhada... porque só assim vale a pena…

sexta-feira, maio 19, 2006


E temos mais um muro… na liberdade e nos valores que as democracias dizem defender… O muro de Berlim dividia duas ideologias… isolava a liberdade do controlo de uma tirania de esquerda (o comunismo verdadeiro nunca, até hoje, foi aplicado em nenhum lugar) era um muro vergonhoso que separou famílias e matou muita gente que apenas queria ir busca de uma vida melhor… mas a miséria ideológica não queria… a política é (quase) sempre transformada num jogo sujo de vontades individuais…

O muro que Israel está a construir para evitar que terroristas entrem nas suas cidades… um muro de intolerância religiosa que deixa ainda mais na miséria muitos palestinianos, tirando-lhes terras e empregos, separando famílias… questões que nem um nem o outro lado têm querido, verdadeiramente, resolver… sempre que há uma luzinha de esperança, alguém a apaga rapidamente…

E agora o Bush e o seu governo vão construir um muro de 600 quilómetros ao longo da sua fronteira com o México… para evitar que a pobreza dos sul-americanos (que eles alimentam há anos) lhes entre cada vez mais em casa… a imigração ilegal é um problema que não se resolve metendo trancas à porta…

O muro de Berlim demorou quase trinta anos a cair… temo que estes demorem ainda mais… as intolerâncias políticas derrubam-se… a religião e o racismo são muito mais difíceis de derrotar… basta olhar pa ao mundo de hoje

terça-feira, maio 16, 2006

Menos mediático claro... mas importante também... aqui está o futuro das selecções principais europeias... em relação a Portugal está o futuro e, em alguns casos, poderia já estar o presente.... temos grandes jogadores nesta selecção... e não estou só a falar do Quaresma, que até acho que ainda tem de crescer um bocadinho mais (lembro-me da falta que fez no último jogo contra o Sporting, em que foi «expulso», pedagogicamente, não pelo árbitro, mas pelo treinador)... há tb aqui gente muito boa... e este campeonato é também importante... por isso compreendo que se tenha deixado que alguns jogadores, que teriam já lugar na equipa principal, joguem aqui e dêem mais qualidade a esta selecção...

Para eles também muita força e muita sorte... cresçam... com vitórias...

Quando foi o Europeu em Portugal, sonhei... o primeiro jogo acentuou o meu pessimismo inicial. Depois veio a euforia crescente... os fantásticos jogos com a Espanha e Inglaterra... nunca tinha sentido o país tão motivado poruma mesma coisa... a derrota com a Grécia desiludiu-me mas, apesar de tudo senti-me contente...

E agora vem o Mundial.... o entusiasmo comum parece ter-se diluido... claro que não vamos ter os jogos em Portugal... mas espero que por toda a Europa (especialmente na Alemanha), por todo o mundo onde se fala português, o entusiasmo volte a acordar e crie uma onda de motivação que leve a nossa selecção a fazer um grande Mundial.... vitória a vitória, sempre no máximo... até onde a nossa força os deixar ir...

Estamos, talvez, no grupo mais fácil... só que nestas coisas a teoria tem muito pouca lógica... viu-se o que aconteceu na Coreia em circunstancias que podem parecer semelhantes...

Destes 23 talvez não tivesse escolhido 3 ou 4... também sou treinador, nem sequer de bancada, de sofá mesmo... mas agora que estão escolhidos... vamos a eles... vamos deixar fluir a nossa vontade de ganhar e jogar com a alegria de quem não tem nada a perder... apenas com a pressão dessa vontade e do talento que mora em muitos daqueles pezitos....

Ah... e já agora... calem-me os cabr#*" dos jornalistas (alguns claro) que só pensam em fomentar tricas e zangas em busca de primeiras páginas lucrativas... deixem de criar mau ambiente... porque sinceramente, são eles que a maior parte das vezes empolam até ao tutano, questões que morreriam em minutos porque não têm qualquer importância... os jornalistas são dos agentes mais importantes para criar um ambiente de motivação total à volta desta selecção... e é esta selecção, são estes jogadores que lá vão estar a representar um país que gosta muito de futebol...

A importância de tudo isto num país que enfrenta os problemas que Portugal tem neste momento... é e deve ser muito relativa... mas não deixa de ser importante...

Boa sorte rapazes...façam-nos sonhar outra vez... e se possível, até ao fim...

segunda-feira, maio 08, 2006

Em Cabo Verde não há animais perigosos... a não ser... o homem...

Há tubarões, mas o único ataque de que alguém se lembra já foi há mais de 50 anos... há umas aranhas peludas que invadem tudo, perto da altura do Natal, mas que não me parece que façam mal a ninguém (a não ser a quem sofra de aracnofobia)....

....mas há diversos animais selvagens... aliás quase todos os animais são selvagens porque vivem num ambiente selvagem... seja nas zonas rurais, seja na selva de prédios e casas que florescem desordenamente formando a pouco simbiótica capital deste belo país... quase diarimente se podem ver cavalos, burros, cabras, vacas, passeando pelas ruas da cidade fazendo o périplo dos caixotes do lixo onde vão petiscando sacos de cimento e outras iguarias igualmente suculentas...

Uma das coisas que mais me impressionou e enristeceu logo que cá cheguei foi o estado dos cães vagabundos que vagueam por toda a cidade... devem ter todas as doenças possíveis... fazem-me uma pena... e a maioria são cadelas, sempre gávidas, o que deixa antever que o problema se vai perpetuar...

Mas vamos a imagens... a maioria bonitas... uma beleza ora invulgar... ora difícil de encontrar se pensarmos bem como viverão estes animais, sem água e com pouco mais que pó para comer...mas... aqui vai...

...as vacas...












e o respectivo boi...ou melhor touro...















bodes solitários em pose fotográfica e o maior rebanho que alguma vez vi...ok, talvez não tenha visto assim tantos rebanhos para poder fazer comparações.. mas era grande... princialmente para aqui... num deserto de pó na ilha do Maio...

















Macacos atrevidos que na zona o Tarrafal estão sempre à espreita de uma oportunidade para roubarem o pequeno almoço a um desprevenido turista...























porcos... ou melhor suínos que é para não haver dúvidas...




...tartarugas gigantes...ou será este o seu tamanho normal... eu lembro-te de, quando era pequeno ter tido uma minúscula... que morreu... rapidamente.... estas devem ter muitas dezenas de anos... principalmente no Maio e Boavista, nos meses de Agosto e Setembro, vêm de noite às praias, onde elas próprias nasceram, pôr os seus ovos... se tivermos sorte podemos, com todo o cuidado, ver esse momento magnífico...

há mais... mas fica para outro dia....

quarta-feira, maio 03, 2006

Mais fantasmas de S. Antão...



não me admirava nada que fossem mesmo fantasmas... que belo sítio para se passar uma eternidade errante...

segunda-feira, maio 01, 2006

A Lenda de 1900… La Leggenda del pianista sull'oceano… é um dos filmes mais bonitos que vi… e muitos filmes, de vários tipos e de várias épocas, já passaram por estes olhos… e este é sem dúvida um dos que ( se não mesmo o que mais) me faz sentir que o cinema é sem dúvida uma arte suprema…

Não é um filme muito conhecido e passou bastante despercebido por todo o mundo… é relativamente recente (1998) realizado pelo Giuseppe Tornatore, (mas o filme é falado em Inglês) que mostra uma sensibilidade que eu já tinha apreciado muito noutro grande filme, o Cinema Paraíso (este sim falado em Italiano)…

Um estilo muito calmo… todo o filme é um poema pautado por música jazz e por orquestrações do mestre Ennio Morricone…

um bebé é deixado num paquete que faz travessias entre a Europa e América, no ano de 1900… adoptado por um dos maquinistas do navio (que o baptiza de 1900) torna-se no maior pianista do mundo, aprendendo a tocar no piano do salão de bailes, sem nunca, durante toda a sua vida, pisar terra firme…

As cores e a serenidade com que a história é contada transmitem-me uma harmonia que poucas vezes senti em cinema… e eu gosto muito de muito filmes… principalmente antigos (décadas de 30,40,50)… mas poucos me toca(ra)m como este… revê-lo é voltar a rir e a chorar como se fosse a primeira vez… quem ainda não o viu… e depois diga qualquer coisa…