quinta-feira, maio 25, 2006


Tenho dificuldade em acreditar em muitas das notícias que os jornais hoje em dia trazem. E não estou a falar dos «pasquins» sensacionalistas que vivem de escândalos e exploração de futilidades… Também os leio porque, admito, sou um, tímido, voyeurista da decadência social do jet7 (bom nome para uma boys band… ou bois band) … mas por estas notícias não me dou sequer ao trabalho de pensar se são verdade ou não…

Estou a falar em notícias de jornais como o Público e Diário de Notícias, jornais de referência informativa, que todos os dias leio na Internet… E estou a falar de notícias realmente importantes, que me deixam muitas vezes a questionar a sanidade do mundo… ou seja, tenho dificuldade em acreditar em certas notícias porque não quero acreditar nelas…

Fiquei contente por saber que se aprovou em Portugal legislação que proíbe fumar em espaços fechados… principalmente em cafés e restaurantes é muito desagradável para quem não fuma (como eu) estar a comer e a beber fumos em 2ª mão a acompanhar as refeições… em geral, é desagradável para não fumadores, em qualquer situação, estar a apanhar com os resíduos do tabaco… mas temos que ter alguma compreensão e tolerância… e principalmente, as leis, têm demonstrar algum grau de compreensão e têm, sobretudo, de ser justas… não deve haver radicalismos… e parece-me que as legislações recentemente aprovadas para refular estas matérias (na Irlanda, Espanha e em Portugal), acabam por ostracizar completamente os fumadores, criando-lhes graves problemas.. como este (a acreditar completamente na notícia, claro)

Tem efectivamente de haver separações entre áreas de fumadores e não fumadores… nos restaurantes, cafés e locais de trabalho… quanto mais não seja por questões de saúde. Há muita gente com problemas respiratórios que não pode estar num ambiente com fumo…. Mas todos sabemos que concretizar esta divisão é, na grande maioria dos casos, fisicamente impossível… e se por exemplo, durante uma refeição, acho que é perfeitamente aceitável que se peça (ou exija) um sacrifício (que o é, temos de o compreender) aos fumadores e «obrigá-los» a não fumar durante 2 horinhas (só lhes faz bem), acho muito mais problemático e injusto obrigar os fumadores a não fumar no local de trabalho… aí tem que haver colaboração das empresas e a tolerância de colegas e chefias (salvaguardando, claro, as questões de saúde de algumas pessoas) … porque se não os fumadores começam a ter que decidir entre deixar de fumar ou deixar de trabalhar… organizacionalmente e na maioria dos locais de trabalho será muito difícil (impossível ?) separar trabalhadores que fumam e que não fumam… mas também é impossível pedir a um fumador que não fume durante horas a fio, em situações de stress em que o cigarro é uma arma de produtividade e concentração… ou então tolera-se que esses nicotinodependentes possam fazer algumas, curtas, pausas que terão muito provavelmente menos impacto ao nível da produtividade do que uma proibição radical de fumar…

Fumar não é uma deficiência (pelo menos física)… é uma escolha (muitas vezes por razões sociais) que se torna um vício … e que, como todos os vícios maus (também há bons) pode e deve ser combatido e ultrapassado… mas como todos os vícios (maus e bons) é muito difícil de derrotar

Por isso as legislações têm que proteger os não fumadores, mas também ajudar os fumadores… têm de ser justas e equitativas… não podem ajudar a ostracizar pessoas…

Eu não fumo e incomoda-me o fumo do tabaco principalmente quando estou a comer… mas tenho muitos amigos que fumam e, das duas uma, ou faço depender a continuação dessa amizade do abandono do cigarrito, ou peço para que ele não fume em certas situações, ou fume menos… a solução é, como na maior parte das coisas na vida, a existência de um equilíbrio entre as duas partes….

… não quero acreditar que 5 pessoas tenham sido despedidas de uma empresa porque fumam e porque, para cumprir a nova legislação que proíbe fumar no local de trabalho, fazem duas pausas diárias para o necessário cigarrito (porque a maioria dos fumadores, tristemente, tem mesmo de alimentar o vício para «funcionar» como deve ser) … se for essa a razão é muito mau… se se utilizar esse pretexto para invocar outro motivo disciplinar qualquer e despedir pessoas com (hipotética) justa causa (sem direito a indemnização) então é ainda pior… vale mesmo tudo neste mundo: há necessidade de cortar nos custos… tem que se despedir pessoas…isso implica indemnizações… ou então (brilhante ideia de gestão de recursos humanos) arranjar um pretexto qualquer para dar um chuto no cu às pessoas sem ter que lhes pagar um chavo… seja qual for o tipo de crueldade e maquievilidade que existe neste (e noutros) casos … não quero acreditar… quero continuar a ser ingénuo

(ou faltam ou existem em demasia)