terça-feira, fevereiro 28, 2006

reticências

sobre as reticências (...) que profusamente uso e de que abuso... mania... estilo... silêncios... reflexões... dúvidas... ou só...

...

Em Outubro do ano passado abriu o aeroporto internacional na cidade a Praia, capital deste belo arquipélago atlântico… talvez fosse o único ( ???) país do mundo que não tinha um aeroporto internacional na capital… até Outubro todos os voos internacionais aterravam na ilha do sal e era a partir daí que emigrantes cabo-verdianos, turistas e homens de negócios partiam para as outras ilhas…

Quando cheguei a Cabo Verde (à pouco menos de uma ano), aterrei na ilha do sal vindo de Lisboa, por volta da 1h da manhã. No meio do escuro consegui, mesmo assim, aperceber-me da aridez da paisagem…

…a falta água torna o verde uma côr pouco comum, principalmente nas ilhas do sal, S. Vicente, Boavista e Maio… as outras durante alguns meses (os das chuvas que , normalmente caem entre Agosto e Setembro) pintam-se de um verde forte que surge sabe-se lá de onde…

Do sal apanhei outro avião, um ATR, de hélices duplas…

E por volta das 2 e meia da manhã (45 minutos de viagem) aterrei no aeroporto da Praia… onde só podiam aterrar estes aviões pequenos…

a madrugada deixou-me uma primeira ideia errada da Praia (capital)… as diferenças de paisagem com Portugal pareceram-me, nesse primeiro olhar, escuro, talvez ensonado, muito pouco perceptíveis… mas claro que as diferenças são muito grandes… a manhã, o passar dos dias e este magnífico sol encarregaram-se de me ensinar isso…

Cabo Verde é África mas não é África… explicando… preenche muito poucos dos requisitos mentais que a maior parte de nós (acho eu) tem na cabeça quando pensa em África:

Desertos de areia infindáveis? não…
Calor insuportável? Não
Savanas a perder de vista? Não…
Humidade sufocante provocada por chuvas tropicais? Não…
Fome e pobreza que choca os olhos menos sensíveis? Não
……

E ao mesmo tempo tem um pouco de tudo isto…

É uma África atlântica e com fortes traços europeus… ou uma Europa africana…

É um meio termo onde as duas culturas se fundem e misturam…

Espero poder explicar-me melhor… aos poucos… neste blog… e partilhar com quem aqui chegar e tiver paciência e vontade de me conhecer pelas palavras, e conhecer também, através delas, o Cabo Verde que os meus olhos (e a minha máquina fotográfica) foram vendo…

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

o país de onde vos blogo


De todos os PALOP ( para quem não se lembrar: Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa), Cabo Verde é sem dúvida o mais desenvolvido.

A estabilidade política do país, um nível baixo de corrupção e governos com uma maioria de pessoa competentes (nem nos países mais desenvolvidos todos os que têm cargos governativos o são), têm permitido que estas 10 ilhas (9 habitadas) ultrapassem com relativo sucesso as suas limitações… que são muitas:

♂ Desde logo o facto de ser um arquipélago (não imaginam os custos das viagens internas e da dificuldade que é ter médicos, professores, etc, nas ilhas consideradas mais isoladas e menos desenvolvidas)…

☼ Chove pouco e por isso a agricultura tem muitas dificuldades e é pouco variada… mesmo assim têm café (muito bom), frutas (papaia, manga, banana, goiaba e mais uns quantos, pouco vulgares que eu agora não me lembro dos nomes), têm vinhas, na ilha do fogo, que dão um vinho fantástico (muito forte) mas não em quantidade suficiente para exportar…

Џ Outra consequência da falta de chuva é a escassez de água potável… existem muitos projectos de recolha da água das chuvas e dessalinização da água do mar (que como é óbvio não falta por aqui)

§ Não têm recursos naturais que os pudessem enriquecer. Não têm petróleo, nem ouro, nem diamantes…

± Em compensação os recursos humanos são bons… trabalhadores e com vontade de aprender… se bem que são ainda um bocadinho mais “deixar andar” e “ faz-se amanhã” que os portugueses… resultado: as coisas fazem-se, mas demoram muito tempo…

± as indústrias são pouco desenvolvidas e o turismo precisa de muitas estruturas que não existem (ainda)…

§ têm de importar 90% dos produtos que consomem, e exportam pouca coisa o que faz com a balança de pagamento seja assim a modos que… deficitária…

₪ as centrais eléctricas, funcionando à base de geradores a petróleo, não têm capacidade para satisfazer as necessidades energéticas que todos os anos vão sendo maiores… em algumas ilhas e para algumas vilas e aldeias a electricidade só está disponível durante algumas horas por dia… nas cidades maiores falta regularmente e normalmente durante várias horas (por exemplo ontem… jogo grande no estádio da LUZ… e um benfiquista à luz das velas a ouvir tudo no rádio… ainda por cima foi logo desta vez que ganhou ao porto… ele há dias assim…)

por agora chega… inté loguinho…

sábado, fevereiro 25, 2006

Conhecer Cabo Verde - parte I

Terminar o curso. E depois? O que se segue?… Eu, tive a sorte que cada vez menos gente consegue ter… Estagiei durante um ano num Instituto público… e tive oportunidade de ir trabalhar para Cabo Verde… Onde estou está quase a fazer 1 ano... o tempo passa.. umas vezes depressa demais... outras vezes demasiado devagar... depende dos dias... Uma aventura…

É um país fantástico. Querem ver? Então aqui vai…



ilha de Santiago... a maior.... onde fica a capital... Cidade da Praia...






Praia do Tarrafal... já ouviram falar deste nome?



...talvez o associem a algo que de beleza não tinha nada...fascismo... prisão... morte lenta...

























... Por hoje fico-me pela ilha de Santiago.... mas são 10 ilhas.... todas diferentes... todas espectaculares... haverá muito mais para ver...

....só mais uma...



... e assim começa a viagem...

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

14 jovens mataram uma pessoa

14 jovens. Entre 13 e 16 anos. Todos com problemas de comportamento e famílias difíceis. Com pedras e paus espancaram um sem abrigo… deixaram-no ferido… regressaram passados dois dias… ele ainda estava vivo… mas já não havia nada a fazer… morreu…. Deitaram-no num poço para ver se não o descobriam…

Um deles não aguentou e contou a uma professora…pelo menos isso...

Tenta-se encontrar razões… não foi premeditado…, têm problemas graves de comportamento mas são jovens, tem de se ter cuidado para não ficarem traumatizados para o resto da vida… “Fizeram uma asneira grande e têm de ser castigados mas não tratados como criminosos”…

Não pode haver razões para isto… não se pode tentar encontrar justificações para o que não pode ser justificável… e se não ficarem traumatizados para a vida toda… se os tentarem desculpar, pela sua juventude, por terem problemas… nunca vão perceber a gravidade do que fizeram… têm que se lembrar para o resto da vida que mataram um homem (acredito que não seja uma coisa que se esqueça facilmente, mas no mundo de hoje a morte é tão banalizada que...). Não foi “uma asneira grave” como ouvi alguém ontem dizer nas notícias… foi um crime bárbaro…

Obviamente que não acredito que prendê-los seja a solução. Não sei qual é a solução…

Para quem sempre teve quase tudo na vida (como eu), é difícil perceber porque é que estes jovens agem assim... Acredito que cada pessoa é, pelo menos à partida, aquilo que o mundo onde vive lhe permite... e dentro deste mundo que supostamente é igual para todos, cada um tem o seu pequeno submundo... e é daí que parte para se construir como pessoa... Estes jovens têm (podem ter) um futuro...

Têm que ser ajudados, apoiados... mas nunca desculpados. Tem que se lhes ensinaram a viver com o que fizeram e proporcionar-lhes as condições possíveis para seguirem uma vida diferente… mas têm que perceber a gravidade do que fizeram: agrediram violentamente alguém que não se podia defender… e deixaram-no a sofrer… até morrer…


quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Sonhar

Quando acordo lembro-me sempre do final dos meus sonhos... normalmente só do final... do começo nunca... mas têm de o ter porque normalmente são aventuras tão intensas (algumas podiam dar filmes) que têm de ter um começo..... e eu nunca me lembro dele... Acho que isto tem uma explicação científica relacionada com os ciclos do sono....

Gosto de sonhar... mesmo que por vezes, como toda a gente julgo eu, tenha pesadelos e acorde mal disposto... Mas gosto de viver os segredos do meu subconsciente... Principalmente porque, invariavelmente, as lembranças do que sonhei desaparecem rapidamente e os segredos voltam a sê-lo... hoje parte do sonho envolvia um perfume... e lembro-me de ter conseguido sentir o seu cheiro como se estivesse acordado... do resto não me lembro... mais um segredo que fica....

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Futebol

O futebol deve ser dos elementos que estabelece uma ligação mais forte entre Portugal e os PALOP. Em Cabo Verde vive-se intensamente tudo o que está relacionado com as equipas portuguesas. Todos os fins de semana o país pára à volta das televisões... Há muita gente do Benfica. Mas também muita gente do Porto e do Sporting. Excessos há sempre... Bebe-se bem por aqui. Muita cerveja e bebidas muito fortes. Principalmente grogue.... aguardente de cana que mata todos os bichos inteiores... Por isso, ou para comemorar vitórias ou para afogar derrotas, bebe-se... e depois acontecem discussões que invariavelmente acabam mal....

Ontem, mais uma vez, parou tudo... Apesar do Benfica estar mauzito ultimamente toda a gente se colou às televisões... O jogo foi muito aborrecido... principalmente na primeira parte. Um Benfica medroso, a defender muito bem mas a não conseguir passar do meio campo. Não se pode entrar nestes jogos com medo. O Benfica está há muito tempo fora destes grandes momentos e tinha que ter entrado com mais vontade de ganhar e garra. Ao Liverpool não lhe interessava arriscar muito. Era esperar para ver de que forma o Benfica jogava e procurar não sofrer golos... estas coisas de eliminatórias a duas mãos resolvem-se normalmente no 2º jogo.

O Benfica lá ganhou... jogou um bocadinho melhor na segunda parte. Mas foi um golo fortuito que abafou as críticas ao Koeman e à equipa que de certeza se teriam multiplicado se o resultado final fosse um empate....
Gosto de ver futebol para me divertir. Pode ser um jogo empolgante. Mas hoje em dia é-o cada vez menos...

domingo, fevereiro 19, 2006

saber escrever...

Acho que já não sei escrever sem fazer erros. De pontuação. De sintaxe. De ortografia…. Não escrevo regularmente há bastante tempo. Mas também não ando de bicicleta há muito tempo e de certeza que ainda sei andar muito bem... por isso não devia estar com este problema... mas tenho dúvidas constantes sobre a forma correcta de escrever as palavras. O quero dizer não sai como devia…. E dantes não era assim… não tinha de fazer qualquer esforço para as coisas saírem. E a maior partes das vezes gostava do que escrevia… Talvez o blog me ajude a relembrar o que parece que esqueci.

Tenho passado bastante tempo a passear pela blogosfera. Há muita gente que escreve muito bem. Que conta histórias em poucas linhas…. Fala-se um pouco de tudo… brinca-se… expiam-se sentimentos, dores, lamentações, sonhos… partilham-se vidas… ama-se…

sexta-feira, fevereiro 17, 2006


Mas voltando ao tema da liberdade.... não acho que haja uma razão absoluta para qualquer dos lados que se confrontam... Há de ambas as partes muita hiprocrisia... muita intolerância e muitas mentiras... Abu Grahib, Gunatanamo e outras prisões secretas, bombistas suicidas, ataques terroristas da maior cobardia, guerras sem sentido...

Há sem dúvida grandes diferenças entre as várias religiões... mas nenhuma religião defende a intolerância e a violência... a fé move montanhas, não as destroí...
O conceito de liberdade é muito diferente para uns e para outros... mas a hipocrisia parece ser a mesma... talvez possa estar aí o equilíbrio...

Morabeza

Até agora tive um visitante (para além de mim em atitude narcisista)... e até sei quem é... mas não criei o blog para ver se alguém terá interesse em ler o que cá vou pôr... criei-o principalmente para poder falar comigo. Claro que vou ficar contente se mais gente por cá passar e deixar reacções (comentários, críticas positivas ou negativas mas sempre construtivas).

Tenho visto vários blogs de portugueses que estão, pelos mais variados motivos, espalhados pelo mundo…. Eu também estou pelo mundo…. Num país insular onde o Inverno não é mais que uma Primavera (sem flores e com muito pó di terra) e onde um povo muito simpático vive numa morabeza constante…. Hei-de explicar, para quem não souber, o que é a morabeza. Ou melhor, se quiserem saber em que país estou procurem saber o que é a morabeza...

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Liberdade

Porquê ter um blog ? Porque se quer, porque se precisa, porque se pode, porque é moda… Hoje ter um blog é tão fácil e a blogosfera floresce alegremente todos os dias. Há mesmo muita gente a manter dois ou três blogs ao mesmo tempo. Na vida há sempre muito para dizer. Muito para partilhar. Muito para discutir. E a liberdade criativa e expressiva que a Internet nos oferece, permite que todos possam deitar cá para fora as suas ideias.

A Internet é sem dúvida uma das mais fortes armas de combate à censura. Há sempre formas de bloquear certas páginas, certos conteúdos e monitorizar o que se vai dizendo nos fóruns de debate. Mas o anonimato, pelo menos relativo, que se consegue e a facilidade em criar uma (ou muitas) páginas e blogs onde quase tudo se pode pôr, tornou a liberdade um bocadinho mais livre.

O conceito de liberdade sempre foi um bocadinho subjectivo. Varia consoante culturas, países, tradições e pessoas. Há muita coisa que nos limita a liberdade e essa “muita coisa” não é igual para todos. Deixando desde logo de fora as limitações impostas pelas leis (que evitam que se entre no caos), espera-se que o bom senso permita a cada um perceber até onde se pode levar a sua liberdade.

Parece-me que entrámos novamente numa época de cruzadas e guerra santa. Só que as armas agora não são só as espadas e as armaduras não chegam como protecção...
Culturas em choque sob o pretexto de uns cartoons, bem apanhados, que ofendem convicções intocáveis de quem todos os dias ofende a convicão intocável de quem acha que para se viver tem que se ser livre. O equilíbrio parece-me impossível…

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

A volatilidade no mundo

Ontem vi na SIC, a propósito do dia dos Namorados, uma reportagem sobre como era namorar à 40 anos. É engraçado fazer essas comparações e ver como a sociedade evolui. A liberdade era nula em quase tudo, até no amor. Manifestações públicas de carinho nem pensar. Podia até ser-se preso. Mas “behind closed doors” fazia-se certamente tudo o que hoje se faz… ou talvez não.

Acho que em muitas coisas, hoje em dia, se perdeu a essências dos sentimentos. Banalizam-se as coisas e deixa de se dar tanto valor ao que se sente, ao que se tem. O mundo é muito mais volátil… e os sentimentos também… mas o amor continua a ser imortal…

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Bem vindos...